quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Crime no Hotel Lisboa

Quando a polícia não consegue resolver o caso do suicídio do Sr. Love, que apareceu morto com 14 facadas nas costas (é um caso complicado, eu sei), somos chamados pelo Agente Garcia para ajudar, no grande jogo Crime no Hotel Lisboa da Nerd Monkeys, uma aventura clássica point and click, passada em Lisboa nos anos 80.


Sou grande fã de jogos point and click, bichinho que me ficou das aventuras gráficas da Lucas Arts, como os fantásticos The Secret of Monkey Island, que também foram renovados e trazidos para o mundo moderno do iPhone e iPad, e por isso não podia deixar passar ao lado uma pérola como esta.

Este Crime no Hotel Lisboa chega-nos pelas mãos de uma equipa portuguesa bem talentosa. Uma equipa com muito bom humor, que se vê reflectido em todas as áreas do jogo, especialmente nos diálogos hilariantes entre o Inspector Zé e o Robot Palhaço.


Mas dando um passo atrás, o jogo arranca com a abertura das cortinas sobre o palco, como se estivessemos a assistir a uma peça de teatro, e temos direito a aplausos da plateia e tudo. Os actores entram em cena, dá-se início ao espectáculo, e somos nós que comandamos a história (em Português ou Inglês, mas eu cá apostaria na língua de Camões, a não ser que prefiram chá em vez de tremoços e uma Super Bock).

Em jeito de tutorial, ainda no quarto do Inspector Zé, percebemos como mover o nosso herói tocando no local para onde queremos ir, e como tocar nas coisas nos dá uma descrição breve sobre um objecto (ao carregar na lupa temos a descrição, mas se seleccionarmos a mão, é executada uma acção qualquer). Se mantivermos o dedo sobre o ecrã aparece uma outra lupa, que nos permite visualizar com a mesma quais os pontos quentes no ecrã com os quais podemos interagir (para usar uma linguagem à Nerd Monkeys, com os seus "saidequestes" e outras maravilhas linguísticas).


É também aqui, nesta espécie de tutorial que nos são apresentadas as personagens Robot Palhaço, nosso fiel e inseparável companheiro, e o Agente Garcia. O Robot Palhaço acaba por ser aquele que nos descreve tudo o que nos rodeia, aquilo que temos de fazer, e serve de inventário, guardando todos os objectos que vamos coleccionando ao longo da aventura. Para além de nos contar piadas de gosto duvidoso sempre que lhe pedirmos (levando a plateia ao rubro), permite-nos também chamar um táxi, onde quer que a gente se encontre no jogo, para nos levar para outro local de uma forma mais rápida.

O Agente Garcia vai-nos pôr a par de uma mecânica importante do jogo, que são os interrogatórios. Pegando num objecto do inventário, enfrentamos uma pessoa com uma série de perguntas, que se fizerem sentido, a levarão a confessar... o que houver para confessar. Por vezes a coisa não vai lá à primeira, e há que tentar outra vez, ou então optar por usar o Robot Palhaço para interrogar, que o seu pensamento mais lógico pode ser o ideal em algumas situações.


Quando saímos finalmente para as ruas de Lisboa, percebemos então a grandeza da coisa. Que animação, pessoas a passear, carros e eléctrico a atravessarem-se à frente da nossa visão em primeiro plano, personagens típicas como o engraxador Tony, a senhora da vida Maria Estrela, pessoas a pedir dinheiro, e locais que podemos visitar, como a esquadra da polícia, o Hotel Lisboa, um restaurante, um bar, uma casa de máquinas Arcade, etc.

Estes locais que podemos visitar, onde poderemos encontrar pistas e interrogar personagens chave, têm um toque especial, como por exemplo no bar Gaf, onde podemos ouvir Jazz e encontrar ao piano o grande Filipe Melo, ou no restaurante Noitadas, onde se pode pedir à fadista Alexandra Martins para nos cantar um fado. Na Press Play Arcade encontramos algumas máquinas bem conhecidas da época, como o Petris, Monkey Kong, ou grande Super Bang' On, onde podemos "ouvir" alguns comentários brilhantes sobre alguns destes jogos.


Há muito para explorar na grande Lisboa, mas a ideia é mesmo ir até ao local do crime, encontrar provas, interrogar todas as personagens que encontrarmos, e perceber que triângulo, ou rectângulo, amoroso, deu origem a este homi...suicídio.

Como extra, podemos a qualquer momento guardar o ponto em que nos encontramos na aventura, bazar do jogo e dar um salto até ao Menu, onde podemos encontrar um mini jogo chamado "Palhaço em Pé", que nos põe a controlar o robot palhacito, enquanto este está em palco a contar piadas a uma audiência um pouco agressiva. Temos de acertar nas piadas, para que o público nos aplauda, e nos atire com flores, porque se falharmos, esperem levar com tomates e outras coisas ridículas e bem mais perigosas. Este mini jogo pode ser encontrado como um jogo separado na App Store, completamente grátis, e está aqui em baixo o respectivo link.

O jogo é um achado na App Store, pois pensava que já ninguém fazia disto, mas aqui está ele, para mal dos nossos pecados. Compatível com iPhone e iPad, é vosso por 2,99€, o que vos dá direito à resolução fantástica de 256x192, a mesma do ZX Spectrum 48k (ou da Nintendo DS, bem conhecida dos mais jovens, ah ah), ficam também com um mistério por resolver em mãos, e centenas de piadas de humor fácil para vos estimular a tripa (ou humor difícil, isto vai do gosto de cada um).


Crime no Hotel Lisboa na App Store (Brasil)

Crime no Hotel Lisboa na App Store (Portugal)

Tamanho: 39.6 MB


Robot Palhaço em Pé na App Store (Brasil)

Robot Palhaço em Pé na App Store (Portugal)




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